segunda-feira, 4 de agosto de 2014


ENCONTRO OPOSTO

O coração ao norte
e a alma ao sul
numa profundidade oceânica
procuram encontrar-se.
Mas,
não que estejam perdidos,
procuram
um ao outro
pois necessitam-se,
e nesta necessidade eloquente
se chocam,
se fazem meio de caminho,
se fazem um só.


TRAMA

O pano que enrola o corpo
e faz de si segunda pele,
traz consigo muitas marcas
que parecem cicatrizes.

E o sangue,
gota a gota,
irriga o corpo,
a pele
e o pano.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014


CIRANDA, A DANÇA DA MENTE

Mente ciranda
Terra que ninguém anda
Ninguém, exceto Eu.
Mente que anda
Perambula rodeando
Voltas em torno de si.
Mente que rodeia
Tão complexa quanto uma teia
Faz de si a própria aranha.

ANJOS DE 2000

Sem asas
Anjos de 2000
A coisa certa
Do modo errado
O bem
Bem, ao contrário
Caminham no asfalto
E conectam-se.
Os anjos de 2000
Eles estão por toda parte.

DANÇA, MUNDO

O mundo, quando dança
gira,
rodopia.
Ele está sempre dançando.
Sua palavra-de-órbita é dançar.

quarta-feira, 30 de julho de 2014


CONTRA A CORRENTE

Eu me superficializei.
Mergulhei.
Bati com a cabeça em mim.
Fui raso
na tentativa de ser profundo
e de achar que o mundo
fosse meu,
fosse só eu
ou fosse um mero acaso.
Então,
se em mim mergulho,
é para ir cada vez mais fundo,
cada vez mais longe
de mim.

terça-feira, 29 de julho de 2014


PEDIDO

Vou pedir o sol em casamento,
para que em cada vão momento
ele possa brilhar.
Vou dizer pra dona lua
que a ela, ele continuará fiel
que compartilharão da mesma luz,
do mesmo espaço
e do mesmo céu.
Vou dizer pro universo
que
se em casamento o sol eu peço,
é para que,
de cada raio,
eu possa criar um verso.

sábado, 26 de julho de 2014


A COR DAR

Desprendo-me da matéria,
evoluo,
viajo para dentro de mim.
Acordo.
Jah,
desprenda-me da matéria.
Medito,
evoluo,
transcendo em luz,
viajo para dentro de mim.
O amor é constância e sabedoria. É ter o dom de enxergar no outro a esperança e a capacidade que nem ele mesmo consegue enxergar. O Ser amante tem o dever de ensinar ao Ser amado, e isto é algo recíproco.
O amor é fogo que arde e que se vê. E, mais do que isso, o amor é fogo sensato, que sabe que aquece, mas, que também pode queimar.
O amor é brando e calmo, como uma brisa leve que abraça o rosto. E, para mim, quem fala de amor com grande eloquência, só pode estar sofrendo de pelo menos um de dois males: da falta de tempo para observar o belo, ou de uma paixão ferozmente descomungada.

quinta-feira, 5 de junho de 2014


HÁ RISCO


O giz no concreto
risca teu nome
e eu
arrisco.

ENTRE CURVAS E RUGAS


Entre as rugas
do tempo
e as curvas
da estrada,
prefiro a parada
entre as curvas
do rosto
e as rugas
das calçadas.

HAIRDEMOINHOS


Se um redemoinho
fizer volta
em meu caminho
e o cabelo
no espelho
não acordar legal
que
o redemoinho
do caminho
dê meia volta
e tchau.

segunda-feira, 7 de abril de 2014


TÁ TUDO BEM

É que o sim
é maior
do que o céu.
E a neblina
branca
feito papel,
forma chuva,
escorre pela calha,
molha a sandália
e a sacada
do apartamento.
Mas,
que sentimento
bobo,
grande
e efêmero.
Feito palha no fogo,
que se apaga
com o vento.

segunda-feira, 31 de março de 2014


QUE COISA

Se
de tanto dar coice
em ponta de facas
e murros
para trás
eu
tivesse aprendido alguma coisa
não precisaria
escrever todo dia
sobre todas as não-coisas.

NÃO HÁ RESPOSTA

eu te pergunto
onde estão
os beijos,
as juras,
a fé
e a doçura
daquele dia
em que você
me prometera
que o dia
não acabaria
e
que
da minha mão
tu
não largaria...

QUE SURJA!

Onde estão
as vozes
daqueles algozes
do tempo
e dos versos?
Onde está
a coragem
de quem
os acataram?
Se
está na história
ela dará cabo.
Se
está na memória
já foi deletado.

L'AMORE

O teu amor
efêmero
lânguido
e vazio.
Um amor
tão frio
que
em cacos de gelo
se quebrou.

quarta-feira, 26 de março de 2014


SER, TÃO SER

Meu ser
tão
vazio.
No sertão
tão seco.
Meu ser
tão
florido
em cacos
sertanejos.
Meu sertão
sofrido
ressecado
por falta d'água.
Meu ser
tão
inundo,
encharcado
cheio de lágrima.

SUBMERSO

Mergulho
pois
sem medo.
No máximo
me afogarei
ou nem voltarei
à superfície.
Mergulho
pois
desejo.
No máximo
a decepção.
No mínimo
o socorro.
Na verdade
coragem.
Mergulho
pois
és água clara.
No máximo
não voltarei.
No mínimo
nem o máximo.
Mergulho
pois
tu és a água.

ATEMPORAL

Não sei mais te amar
E também não sei mentir
Confundo-me ao falar
Do que não consigo definir.

E, se me precipito
Precipitadamente como chuva
Volto, digo e repito
A vida já foi menos confusa.