quinta-feira, 5 de junho de 2014


ENTRE CURVAS E RUGAS


Entre as rugas
do tempo
e as curvas
da estrada,
prefiro a parada
entre as curvas
do rosto
e as rugas
das calçadas.

HAIRDEMOINHOS


Se um redemoinho
fizer volta
em meu caminho
e o cabelo
no espelho
não acordar legal
que
o redemoinho
do caminho
dê meia volta
e tchau.

segunda-feira, 7 de abril de 2014


TÁ TUDO BEM

É que o sim
é maior
do que o céu.
E a neblina
branca
feito papel,
forma chuva,
escorre pela calha,
molha a sandália
e a sacada
do apartamento.
Mas,
que sentimento
bobo,
grande
e efêmero.
Feito palha no fogo,
que se apaga
com o vento.

segunda-feira, 31 de março de 2014


QUE COISA

Se
de tanto dar coice
em ponta de facas
e murros
para trás
eu
tivesse aprendido alguma coisa
não precisaria
escrever todo dia
sobre todas as não-coisas.

NÃO HÁ RESPOSTA

eu te pergunto
onde estão
os beijos,
as juras,
a fé
e a doçura
daquele dia
em que você
me prometera
que o dia
não acabaria
e
que
da minha mão
tu
não largaria...

QUE SURJA!

Onde estão
as vozes
daqueles algozes
do tempo
e dos versos?
Onde está
a coragem
de quem
os acataram?
Se
está na história
ela dará cabo.
Se
está na memória
já foi deletado.

L'AMORE

O teu amor
efêmero
lânguido
e vazio.
Um amor
tão frio
que
em cacos de gelo
se quebrou.

quarta-feira, 26 de março de 2014


SER, TÃO SER

Meu ser
tão
vazio.
No sertão
tão seco.
Meu ser
tão
florido
em cacos
sertanejos.
Meu sertão
sofrido
ressecado
por falta d'água.
Meu ser
tão
inundo,
encharcado
cheio de lágrima.

SUBMERSO

Mergulho
pois
sem medo.
No máximo
me afogarei
ou nem voltarei
à superfície.
Mergulho
pois
desejo.
No máximo
a decepção.
No mínimo
o socorro.
Na verdade
coragem.
Mergulho
pois
és água clara.
No máximo
não voltarei.
No mínimo
nem o máximo.
Mergulho
pois
tu és a água.

ATEMPORAL

Não sei mais te amar
E também não sei mentir
Confundo-me ao falar
Do que não consigo definir.

E, se me precipito
Precipitadamente como chuva
Volto, digo e repito
A vida já foi menos confusa.